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ARQUITETURA DE TERRA

NASCIDAS DA TERRA QUE LHES ERGUE OS MUROS, AS CASAS TÍPICAS TÊM O ENCANTO NATURAL DA SIMPLICIDADE

A arquitetura tradicional é quase sempre edificada com o material que está mais à mão. A forte predominância de solos argilosos, que levou o geógrafo Orlando Ribeiro a designar a região sul do país como a "civilização do barro", traduzia-se pelo frequente uso da terra em várias técnicas construtivas, caso da taipa, adobe ou tabique.

TÉCNICA DA TAIPA

Nas regiões do sul mediterrânico, a técnica de Taipa – compactar a maço terra, giz, cal ou cascalho, entre taipais de madeira que são removidos, produzindo blocos sobrepostos até formar as paredes - era o processo mais usual de construção até aos anos 50 do séc.XX. Depois assistimos numa primeira fase, ao desinteresse e abandono da tecnologia, em parte motivada pelo êxodo rural e pelo aparecimento dos novos materiais de construção industriais, mas numa segunda fase, fundamentalmente a partir da década de 90, a um retomar do seu uso por uma via mais erudita, pela mão de arquitetos mas alicerçados no saber tradicional dos antigos mestres taipeiros.


Este interesse pela construção em terra que se tem verificado no Alentejo, tem muito a ver com a procura de estilos de vida alternativos por parte de certas camadas da população, que privilegiam a qualidade de vida e o bem-estar associados à proteção da saúde, à alimentação biológica, ao exercício de desporto, ao sentido de comunidade e identidade e à preservação do meio ambiente e recurso naturais. Neste sentido, procuram uma habitação saudável e natural, como contraponto a uma construção industrializada e impessoal. São muitas vezes designados de “novos rurais” que se deslocam das grandes cidades para lugares especiais com forte ligação à natureza. 

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A crescente consciencialização para a necessidade de redução das emissões de gases com efeito estufa, para a adopção de práticas ecológicas e para a promoção da eficiência energética coloca a Arquitetura de Terra como uma solução a considerar no panorama atual.

No concelho de Serpa, que tem uma elevadíssima percentagem dos seus edifícios construídos com esta técnica, a atenção dada a esta tradição construtiva acompanhou este movimento de interesse e renovação. A fundação da Escola de Artes e Ofícios Tradicionais (na atualidade, a Escola de Desenvolvimento Rural) integrou desde a primeira hora o curso de Construções Tradicionais, onde o uso da terra apisoada tem lugar de destaque. Em Vales Mortos existem diversificados edifícios que a utilizam, sendo uma das aldeias do concelho que dá maior visibilidade à preservação desta técnica tradicional de construção.

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Nos atuais projetos municipais para reforço desta tipologia e das suas tecnologias está pensada a hipótese de constituir um Laboratório de Construção Sustentável da Terra (ECOS, 2010), onde esta velha (e tão nova...) matéria-prima será um dos principais alicerces dos seus projetos de investigação e experimentais, constituindo um importante vetor na estratégia de promoção de um turismo científico qualificado.

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