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O LINCE-IBÉRICO

O FELINO MAIS AMEAÇADO DO MUNDO TEM NOVA CASA NO PARQUE NATURAL DO VALE DO GUADIANA

O felino mais ameaçado do mundo, o lince-ibérico (Lynx pardinus), está desde início de 2015 a ser reintroduzido no Parque Natural do Vale do Guadiana (PNVG), uma área em que já ocorreu, mas da qual terá desaparecido por perseguição direta. Hoje, a população de Lince está em franco crescimento; uma visita à região permite a oportunidade de conhecer esta espécie tão extraordinária e esta belíssima área protegida.

O LINCE-IBÉRICO VOLTOU E ANDA POR TERRAS DE SERPA

 

Os resultados deste processo de reintrodução continuam a exceder todas as expetativas, o que se deve às condições do território, ao bom desenvolvimento do próprio processo e à colaboração da população local que acolheu, desde início, este novo habitante com entusiasmo e expetativa.
 

Atualmente, existem nesta área protegida xx linces de excelente saúde, entre reintroduzidos e aqueles já aqui nascidos. Os primeiros são linces selvagens, ou nascidos em diferentes centros de recuperação, e têm aqui perfeitas condições para se desenvolverem, de forma autónoma, em ambiente silvestre. 
 

A escolha desta área foi um processo natural pois esta espécie já terá ocorrido na região. Não há certezas de ter existido uma população estável, mas os linces passariam necessariamente pela área. Acredita-se que o Guadiana funcionaria como o corredor sul da Península Ibérica. A abundância de coelhos, o principal componente da sua dieta alimentar, terá sido outro fator de peso.

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A reintrodução ocorre sobretudo no início de cada ano, durante o período reprodutor, e inclui um período de estágio de 2 meses numa cerca de aclimatação temporária. É uma área com 2 hectares, na qual são reproduzidas as condições naturais que os linces terão quando soltos. Esta cerca funciona como uma âncora a partir da qual os casais se expandem no território, procurando espaços não ocupado por outros linces e comida mais abundante. 


Todos os linces têm um nome que se inicia por uma letra relacionada com o ano do seu nascimento. Este ano de 2018 nasceram xx crias e todas elas terão um nome iniciado pela letra “P”. Se tiver interesse, poderá participar na sugestão de nomes para os bebés lince podendo, para o efeito, contactar o PNVG (Parque Nacional do Vale do Guadiana).

O casal de linces que ocorre no concelho de Serpa é formado pelo «Mundo», um macho que veio de Sevilha e pela «Malva», uma fêmea reintroduzida nesta área protegida. Tiveram já uma ninhada de 4 filhotes nascidos em 2017. O seu território situa-se nas imediações do grande rio do sul.


É uma espécie esquiva, embora alguns exemplares se deixem avistar mais do que outros. Nas palavras de Carlos Carrapato, um dos técnicos mais envolvidos neste processo “cada um tem a sua personalidade”. Ao contrário da imagem que habitualmente se tem, é um bicho que não ataca. Pode fazer frente ou rosnar quando se sente ameaçado mas, desde que não se aproxime, não haverá qualquer problema. No entanto, não deverá esquecer que este animal se considera um superpredador e não sente medo quando avista pessoas. Por esse motivo, toda a cautela se impõe.

O Lince desempenha funções importantes no ecossistema, e que são igualmente interessantes

para algumas atividades com expressão na região. Torna mais saudáveis as populações de coelhos pois caça os mais fracos e doentes e, nesse sentido, melhora a atividade cinegética. Um outro exemplo

é o da sua função enquanto superpredador, controlando as populações de saca rabos e raposas. É assim um

forte aliado dos criadores de gado.

Se, no passado, a caça furtiva foi uma das principais causas do seu desaparecimento em Portugal, juntamente com a destruição de habitats e o declínio do coelho-bravo, o presente traz um cenário distinto e mais animador. A perseguição direta diminuiu significativamente, e o lince começa a ser visto como aliado das populações. Ainda assim as ameaças espreitam.

Entre Mértola e Beja há um sinal de alerta: esta é «zona de linces», que - destemidos - atravessam as estradas, sem reconhecer o perigo de atropelamento, principalmente durante as suas longas dispersões em busca de novo território.

Faça uma condução segura para si e para esta extraordinária espécie. Se atropelar um lince ou encontrar um animal atropelado: ligue o 112 e siga as suas instruções. Não manipule nem mova o animal de sítio. Não receie que o criminalizem ou multem. Sinalizar estes incidentes em segurança é uma forma de ajudar.

Contamos consigo.

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