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ANTIGA

FÁBRICA DE MOAGEM

Este antigo edifício fabril foi adquirido pela Câmara Municipal de Serpa que, em 2011, o transformou num projeto aberto ao público, tendo-lhe sido acrescentado um novo volume que, em conjunto, constituem o Musibéria - Centro Internacional de Músicas e Danças do Mundo Ibérico.

O EDIFÍCIO ORIGINAL

compõe-se por dois pisos e quatro salas, interligadas por peças de maquinaria, de acordo com as várias fases de transformação dos cereais, numa tipologia vertical, permitindo que o circuito de produção fosse concentrado num só edifício. Destaque para o sistema de mós, construído na Bélgica pelos ateliês Léon Michel-Simonis, e montado no rés-do-chão da fábrica nos primeiros anos da sua laboração. Uma das salas do 1º piso alberga os silos (com o grão para moer) e, outra, os peneiros e equipamentos diversos.

 

O projeto museológico da fábrica de moagem assenta na preservação in situ de todo o conjunto de equipamentos - que se encontram ainda hoje bem conservados – podendo, no futuro, virem a ser colocados em funcionamento, com finalidades pedagógicas. Devido ao encerramento para obras do Museu Municipal de Etnografia, foram recentemente organizados, neste edifício, diferentes núcleos expositivos desse núcleo, integrando grande parte da coleção etnográfica representativa das artes e ofícios tradicionais, permitindo deste modo alguma forma de visibilidade da mesma.

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HISTÓRIA

No início do século XX, por iniciativa da Nova Companhia Nacional de Moagem, uma grande empresa industrial fundada em 1907, e com sede em Lisboa, é estabelecida em Serpa uma fábrica de moagem de cereais. O prédio onde é instalada esta unidade, situado no Largo da Senhora dos Remédios, é adquirido, em 1913, pela companhia (representada pelos seus diretores, Manuel Rodrigues Vaquinhas e Eugénio Lança), a Manuel Francisco Veiga, industrial, e sua mulher, Maria José Gomes Veiga, residentes na vila de Serpa, e a Leopoldo Diniz Parreira Cortez e sua esposa Berta Parreira Cortez, residentes na Herdade da Retorta.

 

Em 1919, a Nova Companhia Nacional de Moagem funde-se com outra empresa, dando origem à Companhia Industrial de Portugal e Colónias, S.A.R.L., a qual, em data anterior a 1923, vende a fábrica de Serpa a uma firma local, a Sociedade Cooperativa de Exploração Mecânica Agrícola, que se transformou depois em Sociedade de Moagem Serpense Lda.

A Sociedade de Moagem Serpense Lda., sociedade por quotas, é constituída em 1923 e tem “por objeto a exploração da indústria de moagem, comércio de cereais e ainda o exercício de indústria ou comércio que em outro qualquer ramo resolva explorar, mas não o bancário”. Integram a sociedade vários proprietários e agricultores (de Serpa e de Lisboa), um capitão do exército, um farmacêutico, um médico, um comerciante, um funcionário público, um sargento reformado da Guarda Fiscal, um seareiro, um notário, um escrivão-notário, um advogado, um pedreiro e um padre, sendo quase todos de Serpa.

 

O capital da sociedade é constituído pelo prédio onde estava instalada a fábrica de moagem, pela maquinaria e utensilagem existente no prédio, “motor, geradores, bancadas com sete pares de mós, aparelhos de limpeza, veios, transmissões, tambores, balanças, sacarias, torno mecânico e outros pertences”, e por uma carroça, um cavalo e arreios, mais dinheiro e quotas de cada um dos sócios da ex-Sociedade Cooperativa de Exploração Mecânica Agrícola de Serpa. Por acordo dos sócios, a Sociedade de Moagem Serpense Lda. foi dissolvida em 1940.

Dois anos mais tarde, em 1942, António Cortez Lobão, oficial do exército e proprietário, residente no concelho de Cascais, na qualidade de único liquidatário da Sociedade de Moagem Serpense Lda., vende a Mariano Lopes & Filhos o prédio urbano e “cede e transfere aos compradores todo o domínio, direito, acção e posse que a extinta sociedade até agora tem tido no prédio vendido”.

Com Mariano Lopes, um grande comerciante e industrial local, que constitui com os seus cinco filhos a sociedade Mariano Lopes & Filhos Lda., são introduzidas na fábrica amplas beneficiações que alargam a sua capacidade produtiva – uma delas será a instalação de um motor a diesel, da Blackstone.

 

O espaço fabril cessou a laboração na década de 70 do século XX.

 

Venha conhecer este interessante equipamento industrial e aproveite para conhecer grande parte da coleção etnográfica habitualmente exposta no Museu Municipal de Etnografia, encerrado temporariamente para obras!

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